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Flávio Bolsonaro é investigado pelo STF em inquérito sobre financiamento do filme ‘Dark Horse’

Flávio Bolsonaro em ato de campanha – Foto: Guito Moreto

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser formalmente investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em um inquérito que apura possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, após solicitação da Polícia Federal. Entre as suspeitas analisadas estão possíveis crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. A apuração também busca esclarecer a origem e o destino de recursos utilizados na produção do longa.

Suspeita envolve recursos de Daniel Vorcaro

Um dos principais pontos da investigação é a relação entre o financiamento do filme e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que está preso no âmbito de investigações sobre fraudes financeiras.

Segundo informações reunidas pela Polícia Federal, Vorcaro teria destinado dezenas de milhões de reais para a produção de “Dark Horse”. Reportagens apontam que o empresário teria combinado repasses que chegariam a R$ 134 milhões, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.

A investigação autorizada por Mendonça também analisa movimentações envolvendo um fundo nos Estados Unidos, o Havengate Development Fund. A suspeita é de que parte dos recursos possa ter sido utilizada para custear despesas relacionadas ao deputado Eduardo Bolsonaro no exterior, além do financiamento do filme.

Flávio Bolsonaro aparece no centro da apuração

O nome de Flávio Bolsonaro entrou no foco da investigação em razão de sua atuação na captação de recursos para a produção do longa. Segundo informações divulgadas pela imprensa, áudios revelados anteriormente mostram o senador conversando com Vorcaro sobre a obtenção de dinheiro para o projeto.

A Polícia Federal busca esclarecer se houve alguma irregularidade na obtenção e utilização desses recursos e se os valores destinados à produção cinematográfica tiveram outras finalidades.

Até o momento, a condição de investigado não significa que Flávio Bolsonaro tenha sido considerado culpado ou que exista uma condenação. O objetivo do inquérito é justamente apurar os fatos, identificar eventuais responsabilidades e verificar se houve prática de crimes.

Outra investigação envolve emendas parlamentares

Paralelamente ao inquérito conduzido sob relatoria de André Mendonça, o ministro Flávio Dino autorizou uma operação da Polícia Federal relacionada ao financiamento de “Dark Horse”.

Essa segunda frente investiga possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares e recursos públicos que teriam sido direcionados a entidades ligadas à produção do filme. Entre os investigados está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também participou do projeto cinematográfico.

A operação autorizada por Dino resultou no cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados. A PF também investiga transferências feitas para a produtora responsável pelo longa e possíveis movimentações financeiras incompatíveis com a finalidade declarada dos recursos.

Investigação ocorre em meio a cenário eleitoral

O caso ganhou ainda mais repercussão por ocorrer em 2026, ano eleitoral, enquanto Flávio Bolsonaro se apresenta como candidato à Presidência da República.

O senador nega irregularidades e criticou a operação envolvendo o filme, classificando a ação como uma tentativa de interferência política. Flávio também defendeu a legalidade dos recursos relacionados à produção.

As duas investigações, a conduzida sob André Mendonça e a relatada por Flávio Dino, tratam de suspeitas distintas, embora tenham como ponto em comum o financiamento de “Dark Horse”. A divisão dos casos dentro do STF tem provocado discussões sobre eventual sobreposição das apurações e sobre a necessidade de coordenação entre as investigações.

As apurações continuam em andamento e, até que haja conclusão das investigações e eventual decisão judicial, os envolvidos permanecem sob a condição de investigados.

Por Redação.

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